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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– Simbolismo da Cruz Pátea

A Cruz Pátea tem o seu início num Ponto, o qual para além de representar a origem de tudo quanto existe, representa também a Força Criadora do Cosmos, a síntese de todos os possíveis tangíveis e intangíveis, o princípio de toda a Emanação Divina.

Sem o poder do Ponto, que trouxe a desordem para o Universo, a Natureza não teria conhecido a desarmonia, e por conseguinte, nunca se teria separado das leis prescritas pelo Eterno. Todavia, apesar da sua aparente desordem, quando a consideramos como sendo a câmara que gera e difunde universalmente a vida, percebemos quanto ela é maravilhosa em suas criações, e por isso estamos muito gratos a esse ponto divino que a gerou.

Neste princípio, tal como o Universo conhecido nasceu a partir do ponto, também a partir deste, onde a dualidade não se manifesta, começa também a ser traçada a Cruz Pátea, e tal como a manifestação divina se expande em todas as direcções do espaço, também os braços da Cruz Pátea o fazem, até encontrarem a limitação circular que lhe fora imposta pelo Compasso, símbolo do espírito e da precisão matemática, cujo testemunho simbólico é de que o Caos já se encontra ordenado e que o regresso da pluralidade à unidade é uma verdade latente e incontestável das leis universais.

Por outro lado, os “Quatro Braços Externos” da Cruz Pátea, a “cheio” e de cor vermelha,  representam o Mundo Material, a Obra Manifestada por excelência, que nas ciências herméticas é simbolizada pelos Quatro Elementos: Fogo, Ar, Terra e Água.

Em verdade, os “Quatro Braços Externos” da Cruz Pátea também advertem o Iniciado para a importância que têm as Quatro Virtudes Cardeais: Força, Justiça, Temperança e Prudência, no contacto que este estabelece com o mundo exterior, como também o adverte para a existência dos Quatro verbos Mágicos: Saber, Ousar, Querer e Calar. Pois será através destes princípios fundamentais que o Iniciado poderá transformar as suas ideias em manifestações materializadas. E tanto mais, que tendo os braços externos da Cruz Pátea origem no Centro, as Quatro Virtudes e os Quatro Verbos Mágicos representam também a forma que o Criador deu à Obra Manifestada. Pelo que o Iniciado ao desenvolver as Virtudes mencionadas a par com os Verbos Mágicos, poderá expressar na materialidade a Vontade Divina.

Por sua vez, os Braços Externos da Cruz Pátea dão lugar à formação de “Quatro Braços Internos”, formados pelo espaço “invisível”, não material e de trajecto contrário aos Braços Externos. Pelo que estes simbolizam o Mundo invisível e as manifestações não visíveis. Relembrando assim ao Iniciado, que o que imprime movimento ao mundo Criado é a Força e a Vontade do mundo não manifestado, pois é através do espaço representado pelos Braços Internos que os Braços Externos da Cruz Pátea adquirem a capacidade de se movimentarem. Pois, tal como estes, será a Força Interior do Iniciado que terá de se manifestar no exterior e não o seu contrário. Em verdade, o desenvolvimento interno conduz posteriormente a uma manifestação externa.

Os Quatro Braços Internos, ao contrário dos Quatro Braços Externos da Cruz Pátea, apontam, como setas, para o centro, representado pelo Ponto. Estas “setas” lembram ao Iniciado a efusão do Espírito Santo no Pentecostes e a caridade que reúne os graus do ser. Símbolo por excelência do homem novo.

Por outro lado, a soma dos Quatro Braços Externos (Mundo Externo) com os Quatro Braços Internos (Mundo Interno) conduz-nos ao Número Oito. O número que personifica a Unidade indispensável ao início de um novo ciclo. O Iniciado ao compreender e aplicar no seu desenvolvimento pessoal os segredos revelados pela Cruz Pátea, sentirá a necessidade de procurar o seu Centro, a sua Matriz criadora. E, ao encontrar este Centro divino, ele dará inicio a uma nova vida, a um novo ciclo.

O Oito simboliza a encarnação do Espírito na Matéria, a ideia de Morte e Transformação encontra-se sempre nele presente. Claro que trata-se de uma Morte Mística, na qual o Iniciado morre para a sua velha natureza e renasce como um Novo Homem pronto a cumprir o seu Ministério, ou seja, de uma existência inconsciente e regida pela sua natureza inferior, o Iniciado passa a uma existência consciente regida pelo seu Eu Superior. Então, este Novo Homem perfeito passa a ser simbolizado pelo Ponto. Pois ele soube metamorfosear-se num Deus em potência e em acção. A partir desse momento o Iniciado poderá dar início à construção da sua própria Cruz Pátea. Partindo do Ponto, com o esquadro e o compasso traça o seu eixo e o Círculo limitador. Em suma, o Número Oito, o número templário por excelência simboliza a síntese dos ensinamentos da Cruz Pátea.

Em verdade, a Cruz Pátea expressa na sua formação simbólica uma definida Via Iniciática. A Iniciação é aqui entendida como um processo de Regeneração, ou seja,  Iniciar-se significa Regenerar-se. Aliás, o objectivo final é esse: passar de um estado humano, instintivo, desordenado, unicamente material a um estado de supra consciência, ordenado e espiritual. A sua simbologia tem por propósito guiar todos aqueles que desejem seguir a Via da Regeneração, para que possam entregar-se ao serviço no mundo manifestado. A simbologia da Cruz Pátea tem uma forte ligação com o ideal de Cavalaria Espiritual. Não será por acaso que a Ordem do Templo, especialmente os Templários Portugueses a usaram como seu símbolo principal. Aliás, quando encontramos esta Cruz esculpida à entrada de alguns Templos medievais, sabemos que no interior daquele templo encontraremos as mensagens necessárias ao fortalecimento do nosso Eu Superior. Cada um destes Templos possui uma considerável carga energética. Tal se deve ao facto de terem sido erigidos no cruzamento de Linhas Telúricas com linhas estelares. “O Ponto” onde foram edificados estes monumentos, resulta do cruzamento de uma linha  terrestre  com  uma  linha  estelar.  Estas  forças  energéticas também estão simbolizadas pela Cruz – O Traço horizontal personifica a linha terrestre, a Força Telúrica; o traço vertical personifica a Linha Estelar, ou seja a influência que os Astros exercem sobre o nosso planeta. Desta forma temos presente a fusão de duas forças opostas que se harmonizam e se complementam num único ponto.

Depois do Iniciado ter alcançado a Iluminação, é chegada a altura deste actuar sobre o mundo manifestado, sem esquecer que toda a sua acção é conduzida pela Inspiração Divina e que o trabalho que realizou em si próprio deve ser projectado no mundo manifestado, ou seja, deve trazer a Ordem ao Caos.

Texto inspirado no artigo com o mesmo nome, publicado na Internet pela Sociedade das Ciências Antigas.

OP (KCTJ)

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