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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– (4) O Legado Templário nas Terras Lusíadas (II Parte)

 

Como foi referido na primeira Parte deste tema, os cavaleiros da Ordem de Cristo estavam imbuídos dum espírito de cruzada e de conquista responsável pela continuidade da causa Templária, que contagiou todo um povo a ter uma mentalidade de cruzada que se prolongou muito para além do século XII, e do século XIII. Na realidade, esta mentalidade colectiva que atingiu todo o povo Português como se fosse uma estirpe de um bacilo altamente infeccioso, veio a incentivar aos mais bravos, aos mais capazes, e aos mais destemidos deste reino, a engajarem-se nas caravelas com a cruz vermelha de Cristo, rumo a desconhecidos e perigosos oceanos, numa permanente curiosidade e numa constante avidez de conhecimento, sobre tudo o que iam encontrando de diferente do seu pequeno mundo.

 

Já em décadas anteriores existira em Portugal esta mentalidade de cruzada, a qual por sua vez fora a responsável por transformar o nosso rei D. Afonso V, o Africano, num cruzado fora de prazo, com sonhos que eram pertença de eras passadas, nomeadamente, aqueles que se relacionavam com a conquista e domínio de praças fortes localizadas no norte de África, e que já tinham sido abandonadas pelos cruzados de outros tempos. Na verdade, os sonhos daquele monarca podem ser considerados fora do seu tempo, quando tomamos por comparação que foi durante o seu reinado que começou a fazer-se sentir em Portugal os ventos da mudança que, se no início daquele reinado foram incipientes, em pouco tempo se transformaram numa forte e caudalosa corrente que tudo e a todos levou para uma evolução sem precedentes, transformando definitivamente este reino Ibérico, em mais um centro catalisador do movimento geral do Renascimento Europeu.

 

Duas ordens de factores inteiramente independentes entre si, contribuíram como catalisadores dessa notável mudança de mentalidades, que viriam a alterar profundamente a forma como os europeus encaravam o mundo em que viviam. A primeira: foi o classicismo e a segunda: foram os descobrimentos marítimos dos portugueses. Se o primeiro fenómeno cultural, dada a sua natureza, podemos considerá-lo como sendo de importação essencialmente proveniente de Itália, uma vez que estava orientado mais para as letras, para o comentário e para a imitação dos grandes autores greco-latinos, por outro lado, o segundo fenómeno: a expansão marítima, foi essencialmente de origem portuguesa, e não teve precedentes fora da Península Ibérica. Cronologicamente podemos situar o seu início, no dia em que Gil Eanes transpôs o cabo Bojador, uma vez que foi a partir daquele grande feito, que se deu início a uma época em que a ciência passou a ser entendida por uma “visão directa” dos factos, seguida de uma descrição dos fenómenos observados, isto é, foi a partir de então que a ciência passou a ser vista numa base de experiência adquirida. Na verdade, foi pela influência dos descobrimentos portugueses que o ideal Templário de cruzada veio a prevalecer em Portugal até muito tarde, uma vez que os cavaleiros da Ordem de Cristo imbuídos do espírito de Cruzada, vieram a empreender acções bélicas contra as fortificações de Tânger, em 1437, e contra as de Alcácer-Ceguer, em 1458. Assim, foi através destas ações militares que podemos retirar o ímpeto guerreiro que preponderou sobre o mercantilismo real até 1461. Porém, o espirito de Cruzada veio ainda a prevalecer, mesmo depois do cavaleiro Pedro Sintra ter encontrado ouro na Guiné, uma vez que ainda houve em 1471 expedições guerreiras contra os mouros marroquinos em Asjlah e Tânger. Mas, à medida que foi sendo consolidado o comércio na rota das índias, a partir da sua descoberta em 1498, a coroa foi absorvendo gradualmente os poderes da Ordem de Cristo. Até que em 1550 o rei D. João III fez com que o Papa Júlio III fundisse as duas instituições, e com esta fusão, o Governador da Ordem de Cristo passou a ser sempre o rei de Portugal. Aliás, como podemos ver muito bem retractado na sala dos reis na Quinta da Regaleira.

Por outro lado, sabemos pelo desenrolar dos acontecimentos históricos que chegaram à luz dos nossos dias, que as rotas marítimas e as cartas de marear eram um dos maiores segredos de Estado daquele tempo, os quais estavam bem guardados pelos Cavaleiros Templários, e estes talvez até fossem um dos seus principais tesouros, que a Ordem de Cristo soube muito bem guardar e controlar, enquanto pôde. Aliás, esta Ordem soube ainda controlar muito bem o acesso às tecnologias de navegação, uma vez que no início dos descobrimentos portugueses aquelas só estiveram disponíveis aos seus iniciados. Porém, com a descoberta de ouro na Guiné, em 1461, o monopólio da pilotagem passou a ser cada vez mais desafiado por outras potências marítimas da altura. E por esta razão, foi a partir daquela data que a Ordem de Cristo teve necessidade de multiplicar os contratos com mercadores, e aumentar as concessões de domínio ao rei, para a exploração das regiões descobertas. E, deste modo, aos poucos e poucos, a sabedoria secreta que fora guardada em Tomar, foi sendo passada para esses mercadores de Lisboa, e provavelmente, desta grande praça comercial para o resto do mundo. E tanto mais, que naquela época Lisboa era uma cidade que fervilhava de espiões. Especialmente de espanhóis e de italianos. Que por todos os meios, procuravam os preciosos mapas que durante muito tempo tinham sido ocultados pelos Templários. E na verdade, enquanto aquele Tesouro de conhecimento marítimo esteve sob a guarda da Ordem do Templo, a estrutura secreta desta Ordem garantiu o seu sigilio e a exclusividade das rotas marítimas para os portugueses, e para isso, só uma Organização iniciática que tenha no silêncio o seu templo teria tal capacidade, e a Ordem de Cristo reunia essas condições, uma vez que os Navegadores somente progredirem na hierarquia da Ordem, quando comprovavam a sua lealdade para com esta, e sempre que possível, no campo de batalha. Assim, somente depois dos novos Navegadores terem demonstrado a sua lealdade para com a Ordem de Cristo, é que aqueles tinham acesso ao conhecimento secreto e reservado desta, nomeadamente, a leitura dos relatórios dos pilotos que já tinham percorrido regiões até então desconhecidas. De igual modo, somente depois de terem progredido na carreira é que tinham acesso às preciosidades de marear, como fora o caso das tábuas de declinação magnética, cujo conhecimento destas, permitiria a quem as possuísse tal saber, conhecer a sua real posição no mundo, dado que permitiam o calculo da diferença entre o pólo norte verdadeiro e o pólo norte magnético que aparecia nas bússolas. O uso do astrolábio foi outro dos inventos portugueses que estava reservado somente aos Navegadores experientes.

Assim, Portugal por ter participado na corrente Renascentista de forma directa e muito relevante, conquistou um lugar de destaque e de respeito nos anais do conhecimento humano. Pois, foi também através do seu grande contributo, que o Homem passou a preocupar-se com o estudo e com a análise de tudo o que rodeava, por conseguinte, foi com a sua experiência que a procura do conhecimento se projectou num domínio muito mais vasto que a relação do Homem com a natureza e com o cosmos. Dado que a experiência adquirida confluiu e convergiu para valores em que tiveram no Homem a sua centralidade e a sua universalidade de que ainda hoje, o humanismo contido na cultura do povo português é a prova inequívoca e apanágio desse seu glorioso passado.

 

Portanto, com o impulso de conquista e de descoberta de novos mundos, Portugal foi no século XIV-XV, transportado para um papel de destaque no palco maior dos actos e feitos humanos, os quais com toda a justiça e com todo o mérito ficaram imortalizados na nossa História com parangonas de ouro, e na literatura mundial pelo grande poema épico de “os Lusíadas”. Registos de feitos históricos que muito têm contribuído para que os corações de todos os portugueses, de qualquer geração posterior a estes notáveis feitos, transbordem de orgulho e se identifiquem com tal gesta.

 

Em suma, a medula e o cerne da grande aventura épica protagonizada pelas realizações portuguesas de descoberta e de conquista, centralizou-se numa mentalidade de cruzada, último resquício medieval, legado directo das Ordens Militares, nomeadamente da Ordem do Templo, e da sua sucessora, a Ordem de Cristo, a qual para que não restasse qualquer dúvida quanto à sua influência e ao seu papel directo na história dos descobrimentos, fez com que nas desfraldadas velas bujarronas das caravelas portuguesas, fosse bem visível a sua velha cruz Templária, como que a transmitir ao mundo, que regressavam das brumas da memória, e que aquele seu símbolo seria a marca eterna da cruzada contra o desconhecido e contra o despotismo que teimava em permanecer nos corações dos Homens.

 

Aliás, hoje acredita-se que este símbolo já em 1250 ornava as triangulares velas latinas dos navios Templários que navegavam nos mares da América do Sul. Essa possibilidade tem cada vez mais força e mais razão de ser, à medida que se estudam as trocas comerciais daquele tempo, e em particular a economia Templária existente nas suas muitas Comendas, e principalmente pela estranha localização de alguns dos seus portos, fortificados e escondidos em inacessíveis enclaves. Esta tese tem sido bem aceite por alguns historiadores, dado que Cristóvão Colombo, navegador considerado genovês, mas ligado a Portugal e à Ordem de Cristo, pois não sendo ele um cavaleiro de Cristo, seria estranho ter feito representar nas velas bujarronas das suas naus, a cruz da Ordem de Cristo. Por isso, tudo nos leva a concluir que tal representação gráfica destinava-se a ser reconhecida pelos nativos daquelas paragens, já que aqueles estavam habituados aos navios Templários que provavelmente sulcavam aqueles mares com alguma regularidade. Mas, apesar do sigilo e do secretismo que caracterizaram as acções dos Templários e da sua sucessora Ordem de Cristo, chegaram aos nossos dias mapas datados de 1389, onde já figuravam as costas do Brasil. Por outro lado, é do conhecimento colectivo que Cristóvão Colombo propôs ao nosso rei D. João II, o “Príncipe Perfeito” descobrir a Índia pelo Ocidente, o que demonstra estranhamente o seu desconhecimento cartográfico. No entanto, se reflectirmos um pouco sobre a tese de Mascarenhas Barreto, que ao decifrar a sigla cabalística de Cristóvão Colombo descobriu que o seu nome de baptismo era o de Salvador Fernandes Zarco, considerou que este Navegador era Português, ao serviço secreto do nosso rei D. João II, com a missão de convencer os Reis Católicos a abdicarem de uma competição com os portugueses no caminho marítimo para a Índia. Segundo a sua tese, para que o sucesso dessa estratégia de espionagem tivesse êxito, o rei D. João II só precisou de alguém que apresentasse aos reis católicos uma hipótese, que fosse logicamente convincente para alcançar o Oriente pelo Ocidente, sem a necessidade de se contornar o continente africano. Porém, para tal missão de espionagem e contra-espionagem teria que ser alguém de categoria, muito culto e educado, capaz de contactar com reis e convencer almirantes, ousado e muito experiente na ciência náutica. Um homem que soubesse línguas e soubesse bem conversar e que se sujeitasse a torturas até à morte na defesa do Sigilo a que estava obrigado. Essa escolha recaiu num Cavaleiro da Ordem de Cristo, cujo nome passaria a ser o de Cristóvão Colombo. Herói, ou traidor! Génio, ou oportunista! Iniciado, ou capitalista! Será mais um mistério que ficará sepultado nas poeiras dos tempos. E em particular, será mais um segredo agregado a tantos outros segredos da Ordem do Templo e da sua Ordem sucessora, que certamente nunca serão revelados. Todavia, com o êxito daquela missão de espionagem fora descoberto um dos segredos Templários. Por isso só restou ao rei D. João II exigir que o Papa Alexandre VI, um espanhol de Valência, que reconhecesse os territórios recém “descobertos”, como sendo territórios de Portugal. Mas, para seu desagrado, aquele pontífice veio a reconhecer em duas bulas, as Inter Caetera, o direito de posse dos espanhóis sobre o que o Navegante, segundo uns, genovês segundo outros português e por outros ainda as mais diversas nacionalidades havia descoberto, rejeitando assim as reclamações do rei D. João II. Por sua vez, o rei de Portugal não se conformou com esta decisão e ameaçou a Espanha com outra guerra. O que levou em 1494 a que os dois países, frente a frente, negociassem um tratado para dividir o novo mundo que todos pressentiam existir. Sabemos que o nosso rei D. João II deu muita importância a esse tratado, pois, enviou para essas negociações os seus melhores cartógrafos e os seus melhores navegadores da Ordem de Cristo, a fim de negociarem um tratado definitivo e favorável a Portugal, mediado pelo Vaticano. Apesar de toda a contestação do rei para com a Santa Sé, esta ainda era o único poder transnacional na Europa do século XV. Só ela podia mediar e legitimar negociações entre países. O tratado resultante das negociações foi o Tratado de Tordesilhas, o qual viria a dividir entre Castela e Portugal as terras ignotas em redor do Atlântico. Os nossos negociadores liderados por Duarte Pacheco Pereira foram brilhantes nos objectivos propostos, e disso é testemunha o cronista espanhol, frei Bartolomeu de las Casas, que no seu livro História das Índias, invejou a competência da missão portuguesa. Pois, escreveu: “Ao que julguei, tinham os portugueses mais perícia e mais experiência daquelas artes, das coisas do mar, que as nossas gentes”. Sem a menor dúvida. Era a vantagem dada pela estrutura secreta da Ordem do Templo. Assim, Portugal com perseverança obteve a reforma desse tratado, no qual ficou estabelecido que o espaço inicialmente reservado das 100 léguas a oeste dos Açores e de Cabo Verde, passasse para as 370 léguas a Ocidente de Cabo Verde. Tanto pela ambiciosa pretensão, como pela tenacidade diplomática que foi empregue nas negociações, e também pela presença da ameaça de guerra, mostra como os governantes portugueses já conheciam a existência daquele território, como também nos mostra que o seu conhecimento cartográfico era muito maior do que aquele que geralmente se supõe que eles tivessem.

 

Por outro lado, pelo facto de numa remota época medieval, os Navegantes Templários já conhecerem naquela latitude a existência de territórios, é um indicador de grande importância para avaliarmos o seu elevado grau de desenvolvimento nas artes náuticas e nas ciências cósmicas. E tanto mais, que nessa época medieval era usual que a navegação fosse feita por cabotagem e aquele conhecimento só poderia ser alcançado com navegação em oceano aberto. Pelo que só seria possível a estes destemidos Navegadores terem o conhecimento da existência das terras do novo mundo, se possuíssem um bom e sólido conhecimento de astronomia e da arte de marear, por forma a não se perderem na imensidão dos oceanos, nem tão pouco perecerem nos seus humores sempre traiçoeiros.

A importância que a Ordem de Cristo teve para os Descobrimentos marítimos portugueses foi demonstrada em 1500, quando aquela Ordem armou treze navios, com 1 500 homens, com destino à Índia. Mas, a sua importância ainda se reveste de maior visibilidade, quando a escolha para seu capitão-mor, recaiu sobre o Cavaleiro Pedro Álvares Cabral, o qual não possuía a menor experiência como Navegador. Na verdade, Pedro Álvares Cabral só foi escolhido para o comando daquela esquadra, somente porque era cavaleiro da Ordem de Cristo. Dado que aquela esquadra tinha duas missões para cumprir: uma, era criar uma feitoria na Índia e a outra, no caminho, deveria tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil. Porém, a presença deste comandante à frente de tão grande empreendimento, apesar de não conhecer a arte de marear, era indispensável para o sucesso daquela missão, uma vez que só a Ordem de Cristo tinha autorização papal para ocupar (tal como nas cruzadas) os territórios tomados aos infiéis. No dia 26 de abril de 1500, o cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu a primeira parte da missão daquela esquadra, e ao levantar onde hoje é o Porto Seguro a bandeira da Ordem de Cristo, e ter mandado rezar a primeira missa no novo território, incorporou formalmente aos activos da organização aquele vasto território.

Em suma, a grande epopeia dos Descobrimentos portugueses só foi possível com o capital, com os homens, e com o conhecimento da Ordem dos Templários, o qual era o seu verdadeiro Tesouro, sem esta epopeia a história do mundo contemporâneo seria contada de forma diferente, e as línguas faladas nos territórios descobertos, provavelmente seriam outras. Os Descobrimentos e toda a aventura marítima deste pequeno grande povo estão envoltos pela coragem, pelo anseio de cruzada, pela esperança de riqueza e pelo júbilo da descoberta. Como também está envolta e ensombrada pelos seus desencantos, pelas suas misérias e pelos medos de todos aqueles que foram protagonistas desta gigantesca aventura marítima. Com esta odisseia extraímos que: o espírito Templário é o da liberdade espiritual e o da tolerância, pelo que foi por essa liberdade espiritual que os Templários foram condenados; também o é pela fraternidade que anunciavam e praticavam, e por isso foram até injuriados; por aquilo que foram os verdadeiros Templários, os homens mais mesquinhos quiseram exterminá-los, e materialmente quase o conseguiram. Todavia, espiritualmente ficaram mais fortes e mais indestrutíveis, porque um povo inteiro os passou a representar.

 

O nosso hino começa com a estrofe “heróis do mar, nobre povo, nação valente e imortal…” Qual é o português que não vibra com este primeiro verso? Quem consegue ficar mudo, insensível e apático perante este chamamento pátrio? Quem no seu imaginário, quando ouve estes patrióticos versos não vê num sonho acordado as cruzes vermelhas de Cristo desfraldadas ao vento a sulcarem os mares para a grandeza de Portugal? Nos nossos mais recentes aviões F16 está pintada na sua fuselagem a mesma cruz de outrora. Nas flâmulas que esvoaçam nas antenas dos torreões dos nossos carros de combate, também desfraldada ao vento podemos ver a mesma cruz dos antigos cavaleiros de Cristo. Nos corações de todos aqueles que garbosamente envergaram o uniforme de Portugal, também está gravada a lendária Cruz de Cristo, por isso a Ordem não morreu, ela está viva no povo português. Por isso a Cruz de Cristo é o símbolo de Portugal. É o símbolo deste povo destemido e universalista. Portugal foi grande! Logo os portugueses foram na materialidade grandes também! Tudo o que caminha para a perfeição passa pelas contradições da beleza sublime. A portugalidade é um caminho em que da simplicidade, nasceram os sonhos de alguns homens, homens que sonharam os sonhos da primordialidade de Deus e da simplicidade do espírito nasceu Portugal!

 

OP

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