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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– A Eternidade

A permanente procura da distinção metafísica entre o espírito e a matéria, tem vindo desde o princípio dos tempos a ser o constante desafio para o Homem lúcido e consciente. As escavações feitas em sucessivas camadas de sedimentos temporais tem vindo a revelar esta certeza. Pelo que podemos afirmar com segurança, que o Homem desde a nebulosa civilização megalítica, tem vindo teimosamente a procurar compreender qual é a diferença entre estes dois elementos, tão díspares entre si.

 Todavia, foi necessário passar por este belo planeta azul, milénios saturados de evolução humana, para que o Homem chegasse à conclusão, que os dois elementos tão diferentes entre si, se poderiam destrinçar e terem conceitos bem definidos. Pelo que através do método da dissecação dos conceitos, este veio a concluir que a matéria na sua forma física, seria tudo aquilo que ocupa lugar no espaço, e que no seu aspecto esotérico, seria a substância da mente cósmica que adquire formas, sendo o pensamento o efeito  que produz a obra, aquele que é responsável pelos seus actos. Enquanto que o espírito, é uma inteligência viva, capaz de entender as formas da matéria, sentir o movimento desta, e, até avaliar as relações dos seres no concreto e no abstracto da sua existência. Mas, o Homem compreendeu ainda, que o espírito e a matéria estão unidos e interligados entre si pela energia que os une, a qual, se traduz pelo fluxo do amor, ou do seu contrário, o do ódio. Compreendeu ainda, que estes antagónicos fluxos estão presentes no Homem na sua forma egocêntrica mais primitiva, pelo que estes sentimentos têm sido os responsáveis pelas suas relações e reacções às impressões do mundo exterior. Todavia, apesar desta energia ser muito poderosa, contudo, não tem vindo a permitir ao Homem atingir o seu estado absoluto de evolução, porque a sua mente está programada para reflectir o que este conheceu, analisou, estudou, experimentou, entendeu e compreendeu na sua curta existência, nas suas várias vidas em outros planos metafísicos. Isto é, a sua mente está preparada somente para aceitar tudo o que tem sido a esfera do seu conhecimento e o palco da sua vivência. Razão porque existem infinitos aspectos do conhecimento que fogem à sua compreensão, dado que aqueles são incapazes de impressionar os seus sentidos, sendo por isso ainda indecifráveis e para ele misteriosos.

No entanto, sabemos que o espírito existe e que está sempre presente em nós, uma vez que é ele que nos fortalece com a soma das experiências de todas as personalidades de que cada Homem usou em todas as suas reencarnações, até ao dia, em que pelo aperfeiçoamento da forma, pela sublimação das emoções, e pelo discernimento intelectual, este venha a atingir um estado harmonioso, onde a sua vitória sobre o seu egocentrismo fora total e completa. E nesse dia, transformar-se-á na Luz que iluminará outros espíritos em preparação.

Em suma, o espírito fundido na mente humana alimenta-se e evolui à medida que auxilia os outros a encontrarem os seus caminhos, sem necessariamente intervir nas suas decisões, somente através da sua vibração em ressonância com os demais. E é através deste misterioso fenómeno, após incontáveis reencarnações, o homem pode vir a optar por se fundir a Deus, o Ser Cósmico, o Ser Supremo, elevando-lhe ainda mais a sua vibração e, portanto, contribuir desta forma para a sua própria libertação, ou se este assim o desejar, permanecer personalizado, para novamente se reencarnar por forma a ajudar as almas a chegarem ao seu estado harmonioso, que depois, de terem procurado a essência, estarão com Deus em um só, numa verdadeira Eternidade. Pois, é somente através da existência da luz eterna, que podemos sentir existir um vínculo envolvente entre DEUS e o Homem, de um modo terno, cúmplice e necessário. Não me perguntem como sei da existência desta sobrenatural força cósmica, que nos atrai, como a luz do candeeiro atrai a traça, e que nos acompanha em todos os nossos actos e pensamentos, pois de igual forma nós sentimos o vento e por isso nós podemos afirmar que ele existe, embora não tenhamos a possibilidade de distinguir a sua forma e por isso não temos a possibilidade de o ver, então também de igual modo, nós poderemos afirmar a existência desta luz eterna, a qual também não estamos preparados para a ver, mas sabemos que é a responsável do vínculo do Homem para com Deus.

 Mas, depois da leitura deste artigo ainda prevalecer nos nossos corações a dúvida da existência dessa Luz cósmica, é porque ainda não se está preparado para O conhecerem. E na verdade, a razão humana na sua generalidade tem sido incapaz de compreender a existência de DEUS, embora, a intuição da sua alma, pelo sentimento da beleza e pela influência da sabedoria, tem por sua vez tido a capacidade de admirar a sua maravilhosa obra, como também, nos momentos de maior aflição tem tido a capacidade de implorar a sua misericordiosa protecção por reconhecer o seu infinito poder e misericórdia divina.

Assim, pelo conhecimento que temos da existência deste vínculo entre o Homem e o Divino, temos a capacidade de poder elevar o nosso espírito à sabedoria cósmica e de mergulhar nas suas profundezas esotéricas na busca da perfeição e da harmonia do Homem para com Deus. É certo que nesta incessante procura, muitas vezes temos a sensação de que é como caminhar pela circunferência do fenómeno sem nos dirigirmos directamente para o centro do círculo onde tudo teve o seu início e terá o seu fim, pois é onde se encontra o substrato da verdade e o suporte da nossa felicidade, cuja construção, só depende da nossa capacidade de absorver a frustração e de aprendermos com todo este fenómeno. Pelo que devemos sempre que possível, vibrar com todas as frequências do Amor e do Bem, mesmo na adversidade, pois só o Amor  nos pode  fazer permanecer íntegros e dignos, após tantas idas e vindas de sucessivas reencarnações, para que um dia possamos renascer na luz de DEUS.

Na verdade, grandes mistérios ainda envolvem a nossa existência, contudo, com a esperança, com a dignidade, e alguma confiança em nós mesmos, podemos dar grandes passos em direcção à conquista do sublime objectivo que é o de caminharmos sempre em direcção à essência Divina.  Neste propósito, tem sido a evolução continua do Homem, geração após geração. Pois tudo está previsto na mesma lei que emana do Ser Cósmico uma vez, que tudo para Ele retorna… pois tudo é Ele, e nada acontece senão por Ele…

OP

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