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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– A Catedral Interior

 

 

Se interrogarmos o mais comum dos mortais, para que nos explique o que é uma Catedral gótica? De certo, que ele nos dará como resposta, que uma Catedral é o Palácio de Deus. Mas, se a intensidade da fé desse mortal for imprecisa e pouco segura, então, ele dar-nos-á como provável resposta: que uma Catedral é um lugar destinado à meditação e à oração. Porém, se interrogarmos um herdeiro das herméticas tradições Templárias, provavelmente, responder-nos-á qualquer coisa como: uma Catedral, tanto poderá ser o nosso “Caminho na Terra”, como poderá ser o nosso “Templo Interior”. Pois, tal como aqueles belos livros de pedra rendilhada com os seus pináculos a furar os Céus, escondem e expõem conhecimentos, pois tal como aqueles colossos, o nosso “Templo Interior” também expõe as nossas virtudes, e esconde os nossos erros; mostra as nossas esperanças, e ofusca as nossas decepções.

Assim, o Iniciado consciente da sua Fé, constrói na Terra a sua Catedral Interior para que a sua vida nesta seja correspondente àquela que espera vir a ter nos Céus, e deste modo, o Iniciado parte simbolicamente de Postulante a Escudeiro, e ao concluir a edificação da sua Catedral Interior, chega finalmente ao grau de Cavaleiro. Aliás, no contexto medieval, a Catedral gótica também tinha a imagem de ser o Céu na Terra, dado que oferecia ao crente uma forte impressão do sagrado e do Divino, tanto pelo seu forte simbolismo, que se agarra às paredes, que se esconde nos nichos e que se suspende das  abóbadas, como pela majestade e solenidade das imagens dos apóstolos e de Deus a olharem-no de cima para baixo, como que a analisarem o seu verdadeiro intimo. E, tal como a Catedral de pedra, é erguida de harmonia com o Verbo e, não por consequência de um qualquer racionalismo, também nós erguemos a nossa Catedral interior na mais pura base de uma forte formação moral; nas acções que praticamos no dia a dia; e pela beleza dos nossos pensamentos, os quais poderão conduzir-nos para além do finito, do tempo e do espaço que conhecemos como mortais.

 

Por outro lado, se a Catedral de Pedra representa nitidamente os dois mundos da vida na Terra: o mundo exterior, onde a história da imortalidade é vivenciada na estatuária e nas histórias que são contadas através dos coloridos vitrais, e a do mundo interior, o qual é representado pelo espaço, pela grandiosidade, pelo silêncio, pela paz, e pela pura luz que vem do alto. Na verdade, o sagrado de uma Catedral Interior, está no nosso pensamento, que nos conduz à imaginação de um Universo transcendente, berço de infinitas vidas. Pelo que tal como a Divindade habita na Catedral de pedra, podemos considerar também, que o nosso “Eu” habita na nossa Catedral Interior, em perfeito silêncio e em harmonia com Esta. Por isso podemos também considerar que o mundo exterior a este Templo Interno, é um mundo profano, confuso e cheio de ruído, que nos impossibilita concretizar a nossa verdadeira missão espiritual, neste minúsculo ponto azul.

 

Os Cavaleiros Templários, que para além de outros feitos, se notabilizaram na construção das Catedrais góticas, essencialmente, por terem o conhecimento secreto de que construir significava muito mais do que edificar uma estrutura de pedra, uma vez que tanto para eles, como para aquele que é o verdadeiro crente, construir significa ter a capacidade de gerar espaços e lugares que propiciam a união da Terra ao Céu, o que faz com que através da construção, o Homem se ligue ao Divino e ao Sagrado, formando deste modo a unidade. Pelo que através deste conhecimento secreto os Cavaleiros Templários tinham a interiorização e o conhecimento necessário para compreender os valores harmónicos que emanam de uma Catedral gótica.

 

Todavia, não é necessário sermos Iniciados nos mistérios dos Cavaleiros do Templo, para sentirmos o sagrado de uma Catedral Gótica, uma vez que este está expresso tanto nas suas dimensões e volumetria, como está expresso nas imagens que ostenta e na qualidade da luz que é filtrada e projectada para o seu interior.  Agora, que já conhecemos a nossa Catedral Interior, entremos na nossa câmara de reflexão, pelo holograma da porta da Deusa, à semelhança e imagem da porta que nos permitiu entrar nesta nave planetária, para que o nosso recolhimento espiritual seja meditativo e primordial, tal como o faríamos no interior de uma Catedral de pedra. Pois, tal como naquela, quando entramos na nossa Catedral Interior, para além de suspendemos a confusão dos nossos pensamentos, suspendemos também o turbilhão dos nossos apegos e dos nossos anseios, e neste estado de pureza e de leveza absoluta, preparamo-nos para aumentar a pequena Luz que habita no nosso “Eu”, uma vez que é quando com sinceridade nos entregamos à meditação e à reflexão, que aquela pequena e tímida Luz que habita no nosso peito, aumenta de intensidade. Essa tímida Luz que conhece os nossos mais íntimos segredos, não tem comparação com outro qualquer fenómeno, uma vez que apesar de pequena,  agiganta-se no nosso coração, toma-o por completo e, propaga-se ao nosso pensamento e a todo o ambiente que nos rodeia e nos envolve, fundindo-se instantaneamente com a Luz que ilumina este minúsculo ponto galáctico.  

Agora que conheces a existência de uma Catedral Interior em cada um de nós, quando visitares o teu Templo sagrado, lembra-te deste artigo, pois entraste no palácio de Deus, e por conseguinte, aproveita esse momento para purificar o teu pensamento, por forma a que o teu espírito esteja sempre pronto para integrar essa  Luz Eterna, que em cada dia nos ilumina com a sua Sabedoria, com a sua Beleza e que nos dá a sua Força, para continuarmos a nossa viagem galáctica que um dia iniciámos, e que nunca chegaremos a ver o seu término.

 

OP (KCTJ)

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