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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– A Serenidade e Paz Interior

A tranquilidade da nossa mente para além de ser um dos mais belos presentes da Sabedoria, é também o fruto de uma longa aprendizagem em auto-domínio, e o resultado do esforço paciente e contínuo na procura do controle emocional. Pelo que a sua presença, para além de significar a existência de uma experiência de Vida madura e reflectida, significa também o conhecimento que se tem das regras que regem a boa convivência entre os Homens. Pelo que à medida que os Homens se reconhecem a si próprios, entram na Serenidade e na Paz Interior, ao mesmo tempo que também se reconhecem como seres que se elevam através do pensamento e da Sabedoria.

 

Assim, é pelo correcto entendimento do mundo onde o Homem vive e interage, que aquele para além de compreender melhor as relações internas das coisas pela acção da causa e efeito, passa também a ver em cada ser vivo, e em cada forma de vida, mestres e amigos em potência e em acção. Pelo que por consequência deste conhecimento empírico, aquele deixará de se atormentar, de se preocupar e de se irritar, permanecendo em todas as situações da vida equilibrado, constante e sereno. Aliás, um estado de espírito que lhe permite receber de quem consigo conviva, a reverência à sua força espiritual, o sentimento de que pode aprender com ele os segredos da Vida, e a confiança de que em qualquer situação pode nele confiar.

 Na verdade, o Homem sábio, perseverante e calmo será sempre amado e reverenciado pelos demais. Dado que ele será sempre para eles como se fosse uma árvore, que dá sombra em uma terra árida e sedenta, ou como uma falésia, que entorpece a violência e a fúria das ondas do mar. Quem de vós não ama uma pessoa de coração tranquilo, de temperamento doce e equilibrado? Dificilmente haverá uma resposta negativa! Pois, tais qualidades para além de conferirem segurança, dão também confiança a quem conviva com este indivíduo. Pois, um coração tranquilo ao nosso lado, faz com que não nos importamos que chova, ou que faça sol, porque sabemos que em qualquer circunstância, aquele será para connosco, sempre doce, sereno, e calmo.

Quantos Homens conhecemos nós, que por o seu coração desconhecer a Serenidade e a Paz Interior, têm temperamentos explosivos e amargam as suas vidas no dia a dia, ao mesmo tempo que à sua volta arruínam tudo o que é doce e que é belo! Até mesmo certos Irmãos espirituais quando estão em discordância, muitas das vezes tratam os seus iguais com aspereza, com descortesia, com insultos e muitas injúrias, esquecendo-se dos mais simples princípios de fraternidade, e até dos seus próprios juramentos, tornando-os por tal comportamento perjuros e por isso condenáveis. Aliás, um comportamento lastimável e muito censurável, mesmo para quem não esteja ligado por laços fraternais, uma vez que tal atitude significa aos olhos da sociedade, uma grande falta de ética, de urbanidade e de bom-senso. Princípios básicos, que geralmente se aprendem no berço, e que nos últimos tempos parecem ter sido esquecidos pelas gerações mais jovens. Aliás, é em tenra idade que se ensina, que as palavras têm que ser usadas com Sabedoria e muito bom-senso, dado que possuem um poder sobrenatural e sacrílego. Pois, com uma palavra podemos amar ou podemos destruir. Pelo que esta poderá ser tão mortal quanto uma arma. E, tendo estas tal poder, é nosso dever apreender o sentido profundo das palavras para não ferirmos inadvertidamente quem connosco se cruze ou conviva.

E tanto mais que se exige a um Templário, em todas as situações da vida, para além dum comportamento exemplar e palavras comedidas, que sejam pacíficos e serenos, porque ao Homem calmo e em paz consigo próprio, mesmo quando numa disputa não tenha qualquer razão, tem sempre algo a ganhar, uma vez que na pior das hipóteses, para além de não deixar atrás de si um inimigo, tem sempre a possibilidade de fazer um novo amigo, enquanto que ao colérico nega-se-lhe a razão, mesmo que este a tenha.

Obviamente que tal comportamento violento e tempestivo, que alguns indivíduos apresentam, têm uma razão de causalidade, a qual está associada ao seu desmedido ego, muitas vezes incutido por uma educação defeituosa e chauvinista, que lhe envenena o sangue e o espírito, para além de projectar no seu Eu, uma falsa ideia de que é o “centro do mundo” e que tudo à sua volta gira, afastando deste qualquer humildade e até qualquer discernimento do que é sociável e fraterno.

Assim, porque o ego causa tanto desequilíbrio e muita demência nos espíritos por si dominados, por sinal males muito bem retratados na grande obra de Miguel de Cervantes, “D. Quixote de la Mancha”, podemos considerar que o ego é um verdadeiro veneno para o espírito, dado que é o somatório de todos os nossos muitos defeitos psicológicos, que vivem no nosso mundo interior, e que inconscientemente foram por nós criados e alimentados pelas muitas histórias e mitos que herdamos dos nossos antepassados. Assim, por esta razão, apesar do ego ainda ser muito acariciado por certas castas referenciáveis de indivíduos, não há no ego nada de divino, ou de superior. Ele só cria a soberba e o orgulho, um dos pecados capitais. E, por consequência da sua malignidade comprovada, podemos até considerar que este é o causador de todo o nosso sofrimento, de toda a nossa inconsciência, e até de todos os nossos erros.  

Já no antigo Egipto, o ego era referido como os “demónios vermelhos de Seth”, aos quais Osíris deveria combater. E, na Antiga Grécia, Perseu foi obrigado a decapitar a Medusa com a sua espada, por ser aquela o símbolo do ego, e a causadora de todo o tipo de sofrimento ao Homem. Por sua vez, na Bíblia também podemos reconhecer o ego nos chamados pecados capitais: a luxúria, a ira, a inveja, a cobiça, a gula, a preguiça e o orgulho. E, até na “Regra” dos Templários o ego mereceu destaque de forma repetida e inequívoca. Pelo que destas mensagens históricas podemos retirar, que os antigos conheciam muito bem quanto mal esse demónio causava à humanidade, e por isso procuraram com textos épicos, sagrados, ou de governo avisar as gerações presentes e futuras de que se os seres humanos não deveriam carregar dentro de si o ego, uma vez que sem este, o mundo seria muito melhor para o Homem, dado que este seria para os seus iguais mais compreensivo, mais tolerante e mais fraterno.

Contudo, apesar dos antigos nos terem deixado mensagens de alerta e de aviso, o ego ainda existe em abundância e, até é acarinhado por muitos Homens, como sendo o símbolo máximo da sua virilidade e da sua honra. Pelo que na defesa destes pretensos valores, não hesitam em desencadear as mais violentas reacções. Assim, perante tal patologia, devemos defrontar o sofredor deste mal com um espírito cometido e prudente, uma vez que é preferível ganhar para a causa do Bem aquele que foi vítima do seu embriagante ego, ao invés de o humilhar ou de o condenar, acarretando com essa atitude a sua perda definitiva. Aliás, não se pode vencer o mal com mais mal. O mal somente será vencido com o Bem. E o impulso maligno gerado pela visão egocêntrica da vida é que é o verdadeiro mal, aquele que causa no Homem emoções negativas e reprováveis, tais como o ressentimento, a fúria e a inveja. Pelo que a menos que tais sentimentos sejam controlados, estes podem alcançar proporções de destruição impensáveis e de violência incontrolável, que poderá gerar ainda mais infelicidade a quem incautamente destes egocêntricos se aproxime.

Para podermos desfrutar da Serenidade e da Paz Interior, precisamos de entender que somos um núcleo de vida que vive em comunidade. E, que somente empregando de maneira responsável a nossa capacidade de sentir, de raciocinar e de usar da palavra, livre das interferências dos cegos instintos e dos laços de dependência, é que podemos nos apaziguar na maior fonte de poder que um mortal pode alcançar, que é a Serenidade e a Paz Interior. Sem a harmonia na Vida nada se consegue de frutuoso e de Bem para esta. Pelo que quem possuir tal poder, transporta dentro de si a Serenidade e a Paz Interior, o que fará com que projecte um efeito de harmonia, tanto para o seu lar, como para todo o seu meio envolvente, e através deste, para o mundo inteiro. Não nos iludamos proferindo palavras ocas e vazias de que somos bons e que os outros são os maus, uma vez que nós somos o bem e o mal, dado que somos deuses em potência e em acção!

Assim, porque muitos Homens desconhecem as suas qualidades divinas, e por conseguinte ainda estão mergulhados na mais completa escuridão, acabam por se tornar amargos, críticos e revoltados consigo e com os que os rodeiam, desperdiçando deste modo as suas energias em emoções negativas e socialmente condenáveis. Em muitos casos, esta falta de Serenidade e Paz Interior leva-os até a paralisar a sua vida, por terem esgotado a sua energia vital, impedindo-os de procurar a felicidade, e por conseguinte, optam por se isolar nos seus “castelos”, e entram em depressão, ou então, na melhor das hipóteses, procuram a fuga numa actividade profissional, para não terem de lidar com a sua vazia vida pessoal. Não há dificuldade, por maior que esta possa parecer, que não se transforme diante da Serenidade, e da Paz Interior.

 A Serenidade e a Paz Interior, tal como o ódio marca o semblante e a expressão de quem padece com tal enfermidade, também este sentimento se exterioriza nos olhos de quem aprendeu a arte de ser sincero consigo próprio. O melhor caminho para alcançarmos a Serenidade e a Paz Interior é sermos nós próprios. Dado que a Serenidade e a Paz Interior significa uma conquista de quem possui uma auto lealdade para consigo próprio. A qual é sempre preferível, até por razões economicistas, uma vez que sermos como as outras pessoas gostariam que fossemos, será sempre um esforço mais difícil e mais penoso.

Contudo, apesar da Serenidade e Paz Interior exigir muito trabalho, existe uma fórmula expedita e fácil para encontrarmos este estágio, que passa por fazermos com que o nosso EU interior viaje na magia do sonho, com os pensamentos positivos na resolução dos problemas que nos afectam. Pois, ao flutuarmos nesta dimensão onírica, conseguimos gerar no nosso consciente capacidades desconhecidas para a resolução dos nossos problemas. É certo, que depois de acordarmos deste sonho acordado, iremos ter a estranha sensação de termos vivido uma outra vida. Contudo, tal como o efeito das vacinas no corpo humano, ao viajarmos nesta desconhecida dimensão, vamos ganhar experiências, que nos prepararam para realizar as acções defensivas, ou correctivas, para transformar os factos que nos preocupam. Assim, com o conhecimento desta fórmula mágica para a resolução dos nossos problemas, e com esta, passamos de certeza a poder sorrir, que é o primeiro sinal da felicidade, e por conseguinte, encontramos o caminho para a Serenidade e a Paz Interior.

Em suma, quando encontramos a Serenidade e a Paz Interior dentro de nós, obtemos a magia de transbordar para os demais a felicidade. Porém, para conseguirmos tal virtude, não podemos permanecer na superfície da vida, nem tão pouco procurar escapar desta por qualquer meio, uma vez que só encontramos a Serenidade quando enfrentamos a Vida de frente. Não há dificuldade, por maior que esta possa parecer, que não se resolva com a Serenidade, e a Paz Interior. Somente com a resolução dos nossos problemas podemos encontrar o caminho da Serenidade. Quanto à Paz Interior, só a conseguimos alcançar quando renunciamos à vontade pessoal, aos nossos apegos, e aos nossos pensamentos e sentimentos negativos. Pois, como células do corpo da humanidade que somos, cada um de nós tem uma contribuição a dar a esse corpo divino. E, pelas leis cósmicas, ninguém pode encontrar a Paz Interior trabalhando de uma maneira centrada em si mesmo. Só em favor de toda a família humana é que se encontra a Paz Interior.

Não podemos ignorar que o Templo da paz que foi edificado dentro de nós. Então procuremo-lo… Porque é através deste que irradiamos a Serenidade e Paz Interior para todo o nosso meio envolvente, e através deste, para o Mundo inteiro. É certo que para atingirmos este fim, devemos caminhar de acordo com a Luz mais elevada que possuímos, enfrentando amorosamente os que estão em desarmonia connosco, na tentativa de os inspirar para o caminho do Bem e da sociabilidade. Com a certeza de que se conseguirmos levar a harmonia a algum espírito que não conheça a Serenidade e a Paz Interior, estamos a contribuir para a causa da verdadeira paz. Pois, ao contribuímos para que um Homem esteja em harmonia consigo próprio, estamos a projectar paz no grupo desse Homem, e através da paz deste grupo, estamos a promover a paz em outros grupos, e por conseguinte, estamos a contribui para que haja Paz no Mundo, ao mesmo tempo que estamos também a solidificar a nossa própria Paz Interior e com esta alcançaremos o Templo da Serenidade.

OP

 

 

 

 

 

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