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Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– A Sabedoria

A sabedoria é o melhor guia e a fé a melhor companheira. Deve-se pois, fugir das trevas da ignorância e do sofrimento, deve-se procurar a luz da Iluminação. (Sakyamuni).

Assim como as pedras preciosas são tiradas da terra, a virtude surge dos bons actos e a sabedoria nasce da mente pura e tranquila. Para se andar com segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias a luz da sabedoria e a virtude. (Sakyamuni).

Com o auxilio do Dicionário da Lingua Prtuguesa, verificamos que Sabedoria significa: ter “grande abundância de conhecimentos; conhecimento rigoroso da verdade; ciência; qualidade de quem é sabedor; prudência; rectidão; razão”. No entanto, pela escola da vida, sabemos que Sabedoria não é conhecimento, uma vez que há muito analfabeto mais sabedor que muito doutor. Também sabemos que não é cultura, uma vez que há muito intelectual de grande cultura e de grande erudição que demonstra ter muito pouca Sabedoria. Muito menos significa grande Inteligência, uma vez que á nossa volta há muitos cérebros com um elevado QI, que esbanjam as suas capacidades com uma ingenuidade que nos arrepia e nos causa alguma estupefacção. Então, em face desta breve reflexão, qual será o verdadeiro significado de Sabedoria? Nomeadamente, quando sabemos que Sabedoria significa termos a capacidade de fazer o que devemos fazer, no momento e no tempo certo; que Sabedoria significa termos o conhecimento de quando é tempo para parlamentar e de quando é o momento para agir com determinação e afinco; que Sabedoria significa também sentirmos quando devemos elogiar e quando devemos criticar; que Sabedoria significa concordarmos com naturalidade e discordarmos com elegância; que Sabedoria significa sermos prudentes, e sermos arrojados na determinação e no empenho; que Sabedoria significa não lamentarmos o passado, não nos afligirmos com o futuro e não anteciparmos preocupações, mas sim vivermos sabiamente e serenamente o presente momento. Em suma, através desta reflexão podemos retirar que Sabedoria significa também sabermos viver em cada tempo, com as suas próprias realidades, aceitando o que não pode ser mudado… Pelo que podemos interiorizar que para conseguirmos dotar as nossas decisões no dia a dia com uma grande dose de Sabedoria, temos que estar constantemente atentos e no uso de todas as nossas faculdades e capacidades. Pois, em cada momento da nossa vida devemos ser capazes de temperar os nossos impulsos com a razão, sem abafarmos a nossa intuição, nem tão pouco as nossas mais profundas convicções.

 Por outro lado, ao procurarmos viver na senda da Sabedoria, não significa que possamos ganhar todas as batalhas da nossa vida; por vezes, nestas lutas, o termo Sabedoria também tem o significado de sabermos perder, nomeadamente, quando a derrota é menos prejudicial do que a vitória sobre outrem. Pelo que Sabedoria significa também o conhecimento como em cada situação podemos atingir o maior Bem, causando o menor Mal possível.

 

Na verdade, este desejo de praticar todas as nossas acções à sombra da Sabedoria, implica que seja uma tarefa de hoje, de sempre e de toda a vida, dado que não se é perpetuamente sabedor. Aliás, não há nada de errado em sermos ignorantes. Pessoalmente, reconheço que sou ignorante em inúmeras matérias e nessas só posso contar com a minha curiosidade e interesse para, ao abordar o assunto, me informar sobre a matéria em causa e assim, tentar chegar a alguma conclusão racional e lógica. Mesmo assim, terei que me resumir à minha ignorância se estiver a falar com alguém com mais conhecimentos do que eu na dita matéria e tentar, sempre que possível, aprender algo neste processo. Pois, aconselha o velho mestre, que devemos aprender com quem mais sabe!

 

Todavia, a definição de Sabedoria que encontrámos tanto no dicionário como nas reflexões é manifestamente parca e insuficiente para devidamente caracterizarmos a Sabedoria. Ora vejamos esta analogia! Quando nos encontramos num local imerso na escuridão, uma das nossas alternativas, é acendermos uma luz, para que ilumine o ambiente e possamos desta forma caminhar sem esbarrar nos possíveis obstáculos que nos cercam. Naturalmente, que quando a luz por alguma razão se apaga, o ambiente volta a mergulhar nas trevas. E, nessa escuridão repentina, voltamos a ficar imersos na cegueira, pelo que voltamos a estar sujeitos a chocar com os objectos que nos circundam. De igual modo, durante toda a nossa encarnação estamos condicionados ao que os nossos olhos vêem, sem nos apercebermos da energia que os objectos também emanam. Aliás, o nosso condicionamento à visão é de tal modo escravizante, que na escuridão deixamos de ter parâmetros de referência e, por isso, facilmente nos perdemos. Até mesmo, se esta durar apenas alguns breves instantes, e tenhamos caminhado durante dezenas de anos nesse local. Por exemplo, se tentarmos caminhar pela nossa casa de olhos fechados, temos uma grande probabilidade de chocarmos com obstáculos que sempre estiveram naquele local, e que de olhos abertos, nunca reparámos bem neles. Porém, muito diferente sucede quando acendemos a chama da Sabedoria no nosso coração, uma vez que quando assim o fazemos, ela faz com que um fogo sagrado habite dentro de nós. É certo que muito dificilmente saberemos quando essa chama foi acesa, uma vez que somente a maturidade poderá eventualmente responder a esta questão. Contudo, pouco importa termos ou não esse conhecimento, quando apenas nos interessa saber que esta chama existe no nosso coração e que nos iluminará o caminho até à eternidade. E, porque o conhecimento da chama sagrada pertence somente aos mais sábios e de coração puro, muitas vezes, por eles não é publicitada, uma vez que se limitam a reconhecer a sua posse, somente para que o ego não transforme a Sabedoria que possuem num mero conhecimento.

 

Na verdade, o grande segredo da vida é sabermos manter a chama da sabedoria acesa no nosso coração, uma vez que só dotados desta chama divina podemos trilhar os escuros caminhos das nossas sucessivas encarnações com a firmeza e a segurança nos nossos passos, comungando com tudo que nos cerca, aprendendo a ser parte de tudo, e certamente que tudo não será um obstáculo na nossa caminhada, mas sim ferramentas importantes no nosso caminho evolutivo.

 

Salomão foi provavelmente o Homem mais sábio que viveu sobre a superfície da Terra. E, tudo porque a seu pedido, a Sabedoria lhe foi outorgada por Deus. Pois, diz a lenda, que quando este grande rei subiu ao trono, ao invés de pedir riqueza, poder e força para subjugar os seus inimigos, limitou-se a pedir a Deus exclusivamente Sabedoria. E por consequência de ter pedido uma das principais virtudes humanas e de ter reconhecido que a verdadeira Sabedoria é aquela que vem de Deus. Ele recompensou-o, ao lhe conceder uma grande Sabedoria, um grande poder, um grande prestígio e também uma grande riqueza.

 

O Apóstolo S. Paulo, também nos ensinou que a Sabedoria vinha de Deus, nomeadamente, através da sua frase: “Jesus se tornou, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção”. E, nesta vertente, para além de ficarmos a saber que a Sabedoria vem de Deus, podemos ainda concluir que Deus aprende, evolui, se conhece, toma consciência de si e se manifesta através de Sua criação. Afinal de contas se Deus revelado e manifesto fosse estático, o Homem também o seria, pois “assim como é em cima é em baixo”. Pelo que o Homem é parte integrante e fundamental da criação e está em evolução até à quarta era da humanidade. E, porque a Sabedoria é um valor muito importante para atingirmos essa mítica era dourada, eis a razão porque a Sabedoria é uma das colunas que suporta o nosso Templo Interior.

 

Na verdade, já Hermes Trimegitus dos gregos e, Thoth dos egípcios, afirmavam que era o Templo da Sabedoria que os grandes mestres na sua caminhada alcançavam, bastando para isso simplesmente caminhar, sempre orientados pela Luz cósmica e assim guiados, o encontro com a Sabedoria tornava-se inevitável. Contudo, os grandes mestres quando alcançam a Sabedoria, em vez de darem por concluída a sua caminhada, passam a caminhar ao seu lado, como se precisassem do seu apoio e do seu conforto para atingirem o seu destino Divino. Muito diferente do caminho traçado por aqueles que buscam a Sabedoria, uma vez que estes por estarem dispostos a fazer qualquer coisa para a encontrar, quando isso acontece, eles se auto-intitulam de “Mestres” e esquecem que o caminho deve continuar a ser percorrido, com muito mais responsabilidade e afinco. Ignorantemente entendem estes últimos, que a Sabedoria é o ponto final da estrada, enquanto que os verdadeiros Mestres entendem que a Sabedoria é apenas o seu início. Aliás, como dizia um místico já esquecido, com uma pertinência ainda hoje insuperável: “ubi amor, ibi oculus”, onde está o amor, aí se abre um olho. Pelo que através desta afirmação amorosa, forma-se uma possibilidade de conhecimento, até então nunca percebida, uma concepção que parece abrir-nos o pensamento para um caminho que nos conduz à Sabedoria e ao misterioso infinito.

 

Pois, será somente dotados de Sabedoria é que podemos percorrer a “nossa casa”, sem que os que nos circundam se tornem obstáculos, mas facilitadores da nossa caminhada até à eternidade, uma vez que a Sabedoria faz com que nos entendamos, e ao mesmo tempo faz com que passemos a entender aqueles que nos circundam. Pelo que em síntese, a Sabedoria não é mais do que o hábito da mente sã, ou a inteligência bem treinada, para colocar diante do nosso espírito o verdadeiro ideal moral que está por atingir e os meios justos para o alcançar.

 

OP

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