Comendatemplariadesetubal's Blog
Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

– A Felicidade

A felicidade é o culminar de uma caminhada na busca de um oásis algures no deserto da nossa Vida. Para encontrarmos esse mítico e fantasioso oásis da Felicidade, na imensidão desse misterioso e incerto deserto, que é o vazio da nossa Vida, só dependerá da nossa capacidade de absorvermos as nossas frustrações, as desventuras, e os amargos da vida, que como armadilhas e escolhos submersos, nos surgem passo a passo.

 

É certo, que muitas das desventuras e muitos amargos na nossa Vida, seriam de certa forma evitáveis, se nas inter-relações entre os Homens prevalecesse como código de conduta, a nobreza do carácter, a verticalidade do gesto, e o respeito pela dignidade humana. E, se a estes valores, se associasse a sincera fraternidade e a verdade absoluta, então, a felicidade destes seria na certa uma realidade muito mais concreta e muito mais duradoura.

 

Por outro lado, para podermos alcançar, até mesmo para podermos majorar a Felicidade, deveríamos ser mais ousados, e mais perseverantes no desejo de triunfar sobre o julgo das nossas paixões, como deveríamos também, ser mais afoitos no desejo de nos libertarmos dos nossos vícios, que muitas das vezes nos trazem cativos das suas vontades. Na verdade, a Felicidade é como uma essência perfumada, que não podemos borrifar nos outros, sem que algumas gotas desse orvalho nos caia em cima, só por esta razão, o Homem já poderia ser tão feliz quando o desejasse, dado que está na sua mão, a possibilidade de borrifar os outros com esse perfume sublime, tendo porém a certeza que algumas gotas de Felicidade nele também cairão.

 

De certo, que já muitos de nós conhecemos a embriaguez do triunfo, como também já muitos de nós conhecemos a agonia da derrota. Por já termos passado por estas duras provas, podemos testemunhar que o nosso maior fracasso é quando não tentamos ultrapassar as nossas vicissitudes e os nossos reveses. Quantos de nós já não desistiram da Felicidade e abandonaram a luta? Quando, com um pouco mais de persistência, teríamos vencido os nossos fantasmas e definitivamente teríamos aberto as nossas grilhetas.

 

Em antigas crónicas de feitos bélicos, consta que de Nelson, na batalha de Trafalgar, e o General  Wellington na batalha de  Waterloo viveram essas experiência. Pois, quando tudo para eles parecia perdido. Quando tudo indicava o seu fim. Onde o espectro do fracasso e da derrota já no alto pairava. A vitória sobre as forças adversárias tornou-se numa estonteante realidade. Com estes dois exemplos da história, deveremos deles tirar uma lição, que nunca nos devemos render ao fracasso. Que nunca nos devemos submeter à derrota. Antes pelo contrário… Devemos lutar com perseverança até alcançarmos o triunfo. Devemos nos bater sempre na óptica da vitória. Pois, tal como os citados históricos protagonistas, no último minuto, no último momento, podemos ainda encontrar o caminho para o sucesso, e por consequência, podemos ainda encontrar o caminho para a nossa Felicidade.

 

Noutra perspectiva, interroguemo-nos…

 

  • Que mal poderá advir ao homem pelo respeito mútuo entre si, e pelos outros?
  • Que mal poderá advir ao homem pela sua educação e o seu doce falar para com os seus?
  • Que mal poderá vir ao homem pela bondade dos seus actos?
  • Que mal poderá vir ao homem pela confiança que deposita no seu semelhante? E,
  • Que mal poderá advir ao homem pelo seu relacionamento pacífico com todos os seus iguais?

 

Nenhum mal lhe poderá advir! Antes pelo contrário, com estas atitudes ele só poderá vir a obter a harmonia e o conhecimento do caminho para a morada do eterno. Só o Homem tem a capacidade e o poder, de unir, sem tirar a dignidade de outro Homem, sem lhe furtar a dignidade do seu próprio Eu. E para isso, o fluxo do Amor tem que estar sempre nele presente. Pois, só o Amor é capaz de pôr a humanidade acima das ideologias, acima dos credos, ou acima  das raças. Só o Amor pode fornecer as necessárias e infinitas energias para sobrepujar a fome, a miséria e o desespero que actualmente existe e grassam na humanidade.

 

Por outro lado, através duma antiga fotografia do meu pai, que ainda repousa religiosamente na sua primitiva moldura de vidro, orlada com embutidos cachos de uva, e que tem lugar em cima da minha secretária. De uniforme, em posição marcial, com um clarinete a descansar ao longo da costura das suas calças olha-me a escrever este texto. É a sua fotografia de músico mais antiga e a única imagem da sua juventude que dele herdei. Dessa fotografia antiga e desbotada, mais do que qualquer coisa, nela reparo nos seus olhos brilhantes e cheios de vida. Naquela fotografia está o olhar que conservou durante toda a sua vida. Quando sinto a lenta e inexorável intrusão da idade, recordo-me daqueles olhos e concluo, que o que há de essencial e melhor em nós nunca envelhecerá, nunca morrerá, por isso vencerá o tempo e será eterno. Esta fotografia da saudade também me dita, que começos e fins se unem. E na verdade, quando compreendermos que envelhecer poderá ser simplesmente o processo da passagem da infância inocente para a infantilidade sofisticada, então seremos de certo muito mais felizes. Mas, muitos de nós continuam a procurar a plena Felicidade, e muitas vezes ela esteve sempre ao seu lado e à sua espera. Mas, cegos em paixões e coisas mundanas da Vida, nunca a encontraram e continuam a procurá-la.

 

 

 

 

OP

 

 

 

%d bloggers like this: